Futebol e política não se misturam. Eles são uma coisa só!

 O juiz olha o relógio, leva o apito à boca e inicia o jogo. São onze de cada lado, prontos para a disputa, almejando a glória.
O presidente da câmara olha o relógio, toca a sineta e inicia a sessão. Oposição e situação prontas para a disputa, almejando suas pautas.

Deputado Afonso Hamm (PP-RS) pede para senador Romário (PL-RJ) autografar camisas.
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
 

Outro dia, estava na fila do caixa do mercado, inicio de mês e aquilo estava um caos. Coca-Cola zero,  160g de mussarela (pedi 100g, mas a atendente errou pra cima e perguntou: "160 é muito?". E eu, sem reação, respondi: "Pode ser") e 4 pãezinhos. Conferi, tudo certo.

Com minha camisa do Timão, autografada pelo Craque Neto (que Deus lhe dê em dobro o título de 90), sinto alguém cutucar meu ombro, um senhor na casa dos seus 50 e poucos, me olha e diz:
    - Sou corinthiano também, eu era fã do Neto.

Dou um sorriso de quem foi pego de surpresa pela interação e retruco:
    - "Era", por quê?

Já empolgado para conversar, ele começa a falar e a prosa se estende.

    - O futebol está chato, cara. Não pode falar nada, zoar rival... (ele faz uma pausa, como se estivesse lembrando dos velhos tempos) Perdi o gosto por causa desse politicamente correto!
    - Como assim? Você não gosta mais do futebol porque não pode mais brincar?
    - Não pode chamar são paulino de v-ado, bambi. Essa gente da lacração acabou com a emoção. Política e futebol não se misturam, cansei de acompanhar.

Eu poderia concordar com ele, mas isso só faria dois errados na mesma prosa, me lembrei da ditadura brasileira usando a seleção de 70 como peça de propaganda, de Pinochet usando estádio de futebol como campo de concentração e tortura durante a ditadura chilena. E, obviamente, me lembrei de Sócrates, Wladimir e Casagrande com a nossa Democracia Corinthiana, provando que a resistência existe.

Se o VAR não der o pênalti claro, o ato de reclamar é político. Se o presidente do seu clube fizer cagada, pedir sua cabeça, além de belo e moral, é um ato político. Se o atacante tá errando muitos gols, a torcida pedir ele fora do time é um ato político.

Então, não, política e futebol não se misturam. Eles são a mesma coisa. O juiz apita, o presidente da câmara bate a sineta. No campo ou no plenário, são 11 de cada lado, lutando por um troféu que só um pode levar.

 

(Nota do autor: dedico minha primeira crônica esportiva a quem acendeu em mim o amor pelo gênero. Obrigado, Xico Sá!)


 

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