A Alma na Prateleira. SAF-se Quem Puder!
O cheiro de café coado e pão na chapa mal se dissipava no ar da padaria quando a voz, grave e rouca de quem já viu muito mais que o placar, cravou: “Não tem jeito, meu filho. É SAF ou a gente afunda de vez”. Ao lado, um jovem, com o fone de ouvido a isolá-lo do mundo, mas não da angústia, balançou a cabeça em concordância. O jornal aberto na mesa trazia a manchete, fria como um extrato bancário: 41% dos fiéis, sim, fiéis, já acenam com a bandeira branca para a ideia de entregar a chave do cofre a um dono. E eu, que já vi o futebol virar arte, circo e até religião, sinto um calafrio que não vem do vento da arquibancada, mas da vertigem de um povo que parece esquecer a própria certidão de nascimento. Porque o Corinthians, meus caros, não nasceu de um balancete, mas de um grito. Naquela São Paulo de chaminés e anarcossindicalismo , onde o suor operário era a moeda mais forte, o Sport Club Corinthians Paulista foi um ato de insurreição. Não foi fundado para ter um dono, mas para ser a nega...